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Novo conselho aos corredores: não bebam muita água

Gina Kolata
The New York Times

Todo atleta, todo entusiasta de fitness, já ouviu o conselho para beber muita água. Beba o máximo que puder. Não espere até ficar com sede. Se chegar a este ponto já será tarde demais. Você poderá ficar seriamente desidratado, correndo risco de tontura, desmaio e até morte. "Fique à frente de sua sede", costuma-se dizer a atletas e amadores.

Mas agora a USA Track & Field, a federação americana de atletismo, diz que o conselho está errado. No que ela chama de uma grande revisão de suas orientações, a federação diz que atletas de resistência, que podem estar consumindo grandes quantidades de água ao longo do curso de um evento longo, correm o risco de acessos, falha respiratória e até mesmo morte por beber demais.

Em vez de beber o máximo que puderem, dizem as novas orientações, os corredores devem beber quando sentirem sede. As pessoas em corridas longas como maratonas podem querer se pesar antes e depois de treinamentos para ver quanto perderam com o suor, e beber tal quantidade enquanto correm, e não mais. As orientações estão no site USA T&F.


David E. Martin, fisiologista da Universidade Estadual da Geórgia, em Atlanta, chama a mudança de revolucionária e tardia. Ele é co-autor de uma nova declaração sobre reposição de fluidos em maratonas, redigida para a Associação Internacional dos Diretores Médicos de Maratonas. É uma declaração de apoio à orientação da federação.

Martin diz que a antiga orientação estava levando a um consumo excessivo de água, com as pessoas parando em todas os pontos de água, tomando muitos copos, diluindo o sangue e provocando uma queda excessiva dos níveis de sódio, uma condição conhecida como hiponatremia.

O problema ocorre em qualquer evento de resistência que dá às pessoas tempo para beber, beber e beber. Ele ocorre entre pessoas que realizam caminhadas no Grand Canyon, entre aquelas que competem nos triatlos Ironman e, mais notadamente, nas maratonas.

A hiponatremia não é um problema para a elite dos corredores de maratona, diz Martin, porque eles correm rápido demais para beber muito. "Correndo em um ritmo de 3 minutos por quilômetro", diz ele, "não há como beber o bastante para ter hiponatremia".

Tais corredores, ele acrescenta, têm seus próprios pontos de água, os pontos de água da elite, onde contam com suas próprias bebidas esportivas que escolhem antecipadamente.

O problema segundo Martin ocorre com os corredores mais lentos, que podem levar até nove horas para completar o percurso. Eles podem estar correndo com grupos de amigos, levantando dinheiro para uma obra de caridade. Ou podem ser turistas corredores, pessoas que planejam férias visando participar de maratonas.

"Nós estamos preocupados com esse grupo cada vez maior de pessoas, que fazem cursos sobre como disputar maratonas, que vão até lojas de calçados aprender como correr", diz Martin. "O que lhes é ensinado é a linha geral. Não se esqueça de beber. Não há como beber demais. Leve água consigo ou ficará desidratado. Não se preocupe com o calor, apenas beba mais. Isto está errado. Está errado, errado, errado".

E quanto aos riscos de desidratação, que levam a insolação devido ao aumento da temperatura do corpo? Extremamente exagerados, dizem os especialistas médicos. A maioria dos atletas que desmaiam na linha de chegada sofre de hipotensão postural, uma queda na pressão sangüínea (quando sangue se acumula nas pernas), e não devido à insolação.

Examinando informações sobre males em maratonas desde 1985, Martin e Tim Noakes, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, escreveram na declaração que "tem sido difícil encontrar algum estudo em que a desidratação tenha sido identificada como único fator causador de um só caso de insolação relacionada a exercício".

Mas eles relataram que encontraram 70 casos de hiponatremia severa.

Muitos começam a corrida excessivamente hidratados, caindo no que Heinz Valtin, fisiologista da Faculdade de Medicina de Dartmouth, em New Hampshire, considera um mito médico: de que a desidratação está sempre à espreita e deve ser evitada bebendo água mais ou menos constantemente.

Em um estudo publicado em novembro no "The American Journal of Physiology", Valtin diz que não conseguiu encontrar nenhum apoio científico para o aconselhamento comum para adultos saudáveis para que bebam pelo menos oito copos de água por dia, e que os benefícios alegados -perda de peso, alívio de constipação, menos fadiga, aumento da atenção e assim por diante- não têm fundamento em estudos rigorosos. "Na minha opinião, a grande maioria das pessoas saudáveis não precisa beber muita água", diz ele.

Martin concorda, dizendo: "As pessoas têm carregado garrafas de água consigo. Algumas pessoas na verdade acabam sofrendo de síndrome de intoxicação por água. Elas se sentem letárgicas por beberem demais. Eu temo pela sanidade destas pessoas".

Tradução: George El Khouri Andolfato


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